PARIS - Os consumidores ainda não estão prontos para pagar mais caro por produtos ecológicos, apesar da crescente preocupação de proteção ao meio ambiente, disseram esta semana executivos durante o Reuters Global Technology, Telecoms and Media Summit.
Multiplicam-se as idéias sobre maneiras de economizar energia, intensificar a reciclagem e usar mais materiais ecologicamente corretos, mas essas medidas não podem ser implementadas plenamente a não ser que os consumidores aceitem arcar com pelo menos parte do custo, disseram os executivos.
- Se a pessoa não estiver disposta a pagar um pouco mais em benefício do meio ambiente, não esperem que a indústria o faça - disse Russell Ellwanger, presidente-executivo da Tower Semiconductor, uma fabricante israelense de chips.
- A indústria tem sua responsabilidade, mas quem precisa ser responsável é o indivíduo - disse Ellwanger durante o evento, realizado em Paris.
O impacto das atividades do setor de tecnologia sobre o meio ambiente é menos visível do que o de setores mais pesados da indústria, como o petrolífero e gás natural ou o automotivo, mas empresas de tecnologia também são grandes consumidoras de energia e de insumos nocivos ao meio ambiente.
As questões ambientais estão em destaque, porque número crescente de cientistas vêm defendendo a tese de que os seres humanos são responsáveis pelas alterações climáticas do planeta.
- As pessoas começam a compreender que isso não só é algo que se faz para estar na moda, mas porque é absolutamente necessário - disse Barbara Schaedler, vice-presidente de marketing da Fujitsu-Siemens Computers, que faz da preservação do meio ambiente parte da promessa de marca da maior fabricante européia de computadores pessoais.
Alguns executivos mencionaram a rapidez com que o meio ambiente ganhou importância nas discussões globais e que cada vez mais as pessoas perguntam a suas empresas o que pretendem fazer a respeito.
- Ninguém tinha me feito essa pergunta, até três meses atrás. Mas esta é a segunda vez, em uma semana - disse Miles Flint, presidente da Sony Ericsson, produtora de celulares.
- A questão claramente vem ganhando importância na agenda das pessoas.
Mas a Sony Ericsson não está planejando nada radical.
- Eu não creio que vocês nos verão lançando correndo um celular ecológico - afirmou Flint.
Ele disse que a companhia continuará a remover componentes nocivos de seus celulares e aumentar os níveis de reciclagem.
A Fujitsu Siemens informou que 98% dos materiais usados em sua produção são encaminhados para reciclagem e recuperação de energia. Isso inclui tubos de raios catódicos e plásticos gerados por computadores, servidores e caixas automáticos.
Entretanto, a companhia admite que 100% de reciclagem é algo que provavelmente demorará "alguns anos" e que muitas das matérias-primas não podem ser reutilizadas.
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As indústrias não estão procupadas com isso pois já se sabe que o que interessa é o lucro. O que eles praticam é a chamada logística reversa, o recolhimento dos restos do produto comercializado que retorna a indústria para ser reciclado. O problema é que isso não é 100 % garantido, pois ainda assim milhares de dejetos são lançados no meio ambiente todo dia.




Rio De Janeiro Time

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