terça-feira, 8 de maio de 2007

COMBUSTÍVEIS

Petrobras manda seu ultimato à Bolívia

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou nesta segunda-feira que espera receber no prazo de dois dias uma resposta da estatal boliviana YPFB sobre a venda das duas refinarias brasileiras nacionalizadas pelo governo do país andino em outubro do ano passado. "Estamos fazendo uma proposta de venda das refinarias. Vamos dar um prazo legal mínimo necessário, de um ou dois dias", disse Gabrielli, segundo o portal G1.
O executivo prometeu recorrer à Justiça, caso a estatal brasileira não seja atendida e indenizada pela nacionalização. "Se não tivermos acordo, vamos entrar na Justiça internacional com base no tratado de proteção de investimentos. Iremos também entrar na justiça boliviana caso não tenhamos acordo", disse.
Gabrielli não revelou o valor da proposta. Mas sabe-se as bases da negociação: os brasileiros querem 200 milhões pelas duas unidades. Já os bolivianos querem pagar apenas 70 milhões.
A estratégia revelada nesta segunda-feira pode ter sido uma reação ao mais recente passo dado pelas autoridades bolivianas no assunto. Neste domingo, o presidente boliviano, Evo Morales, assinou decreto que concede à YPFB o monopólio da exportação do petróleo e derivados produzidos pelas refinarias do país. Além disso, fixou preços para a venda, pelas refinarias, de derivados do petróleo - um aprofundamento da nacionalização iniciada em 2006.
Dessa forma, cai a margem da atividade de refino - caso das unidades da Petrobras. Gabrielli deu exemplo do que ocorrerá ao preço do petróleo cru reconstituído. No mercado internacional, o produto custa 55 dólares por barril, mas os bolivianos querem pagar só 30,35 dólares à Petrobras. "Essa medida da Bolívia reduz o fluxo de caixa da Petrobras no país e afeta fortemente as atividades da empresa", disse.
Por isso, adiantou o presidente da estatal, investimentos em território boliviano podem ser comprometidos. Novas ações em produção de gás natural, entretanto, continuarão fluindo, uma vez que existe a necessidade de importação do produto. Atualmente, o Brasil importa 24 milhões de metros cúbicos de gás por dia da Bolívia, cerca de 50% de seu consumo. "Mas vamos ser muito rigorosos na escolha de investimentos adicionais", disse.
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O que a Bolívia está fazendo é um retrocesso que pode impedir o crescimento do país, o Brasil que investiu pesado nesta parceria tem a obrigação de jogar duro com os bolivianos e se for o caso, apelar para a intervenção internacional.

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