segunda-feira, 14 de maio de 2007

EMPREENDEDORES

Duas viúvas que aprenderam a reinventar seus negócios

Salvo engano, a empresária Maria Helena Magarinos Torres e a executiva Silvia Bessa Barreto não se conhecem, mas têm histórias de vida parecidas e até comoventes. A começar por um infortúnio comum: a morte prematura dos respectivos maridos, três filhos menores para criar e, de quebra, um negócio órfão de comando.
No caso de Maria Helena, a tragédia ocorreu em 1976, obrigando- a tomar a frente dos negócios enquanto seus três filhos menores não tinham idade para assumir o Laboratório Richet, fundado em 1947 pelo médico Hélio Magarinos Torres. Até então, ela cuidara apenas da área administrativa.
Hélio é patologista clínico e diretor médico do Richet. Os três, dando prosseguimento à obra do marido, construíram o Centro Médico Richet Barra. O Richet, hoje conhecido como “o laboratório dos exames raros”, foi crescendo de forma orgânica, mas optou por não se tornar uma unidade de massa em nome da qualidade. O terceiro filho, Paulo Leonel, trabalha no Richet como gerente técnico, encarregando-se de escolher os equipamentos sofisticados usados no laboratório.
Hoje, orgulha-se Maria Helena, o Richet possui, além da unidade de Botafogo, localizada no hospital Samaritano, instalações na Barra, integrada com o Centro Médico Richet. Mais a unidade da Tijuca e prepara-se para inaugurar mais três filiais em Copacabana, Ipanema e Leblon. O laboratório é o único a ter um centro de pesquisas próprio, onde são desenvolvidos testes exclusivos, conta Maria Helena.
— Fazemos mais de 3 mil tipos de exames, empregamos de 140 a 150 pessoas, equipamentos ainda inéditos no mercado brasileiro e uma obsessão pela qualidade — afirma Maria Helena, acrescentando que a receita média é estável, oscilando entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões por mês.
Também Silvia Barreto, que tratava das atividades administrativas da imobiliária do marido, teve de arregaçar as mangas e assumir novas responsabilidades na empresa. Contudo, um outro revés a esperava logo após a estréia. Na seqüência de um doloroso falecimento do marido, um advogado bem-sucedido e vítima de depressão no auge da carreira, o sócio dele decidiu pôr fim à sociedade sete dias após a sua morte, levando todos os clientes da empresa. Assustada com a “rasteira” e temerosa de que o aluguel dos três imóveis, uma pensão pequena e a poupança fossem insuficientes para custear as despesas familiares, Silvia tornouse uma ambulante, vendendo sanduíches naturais em Copacabana, em frente à primeira loja do McDonald’s instalada no Rio de Janeiro.
O negócio deu certo, atraiu uma clientela fiel e pelo menos quatro convites para abrir uma loja no lugar do quiosque, mas o temor de ser enganada de novo falou mais alto.
— Fiquei assustada, depois daquela experiência com o sócio do meu falecido marido, e preferi manter o pequeno negócio — conta ela, que desistiu do quiosque dois anos depois, em 1991, ao ser convidada para ser revendedora de uma linha de produtos de beleza.
Foi ali que deu os passos profissionais decisivos. Aprendeu o ofício, mas dois anos depois, vencida pela estafa, demitiu-se e, no meio do caminho uma suspeita de câncer, quase lhe tira a força para recomeçar. Silvia, que estudara escondida do marido, com quem se casara aos 21 anos de idade, formou- se em administração de empresas e fez um curso de especialização de executivos.
Usou todo esse arsenal na estréia na Mary Kay, a famosa empresa de cosméticos presentes em 34 países. Silvia virou a primeira diretora sênior da unidade no Rio de Janeiro, conseguiu recursos suficientes para formar as três filhas, fez uma série de viagens internacionais pelos resultados gerados pela multinacional norte-americana, e não tem nada a reclamar das incríveis trapaças da sorte.
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É mais uma inspiração para quem está passando dificuldades com o desemprego, retroceder nunca, render-se, jamais.

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